MELHORE SUAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS DESENVOLVENDO SUA ASSERTIVIDADE.

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APROVEITE E FAÇA UMA AUTOAVALIAÇÃO, UTILIZANDO AS CARACTERÍSTICAS DO COMPORTAMENTO AFIRMATIVO NO FINAL DESTE ARTIGO.

A assertividade é uma das mais importantes habilidades que podem ser desenvolvidas e utilizadas em nossas relações interpessoais.

Ligado à palavra assertividade está o termo asserção, que significa afirmativa.

Portanto, assertividade é uma habilidade de se comunicar e de se relacionar de forma afirmativa, positiva e autêntica.

Está intimamente relacionada com a autoestima, na medida em que reconhece seus sentimentos, escolhas e direitos como reais e legítimos, defendendo seu espaço vital, respeitando e reconhecendo também o espaço e o direito do outro.

É acima de tudo agir e falar de forma transparente e sincera, sem agressividade, medo ou passividade. É ser firme, expondo de forma clara o que pensa ou sente, posicionando-se diante do outro ou de uma situação conflitante sem precisar convencer, agredir ou se anular.

O comportamento assertivo é confundido muitas vezes com o comportamento agressivo e, no entanto, afirmação não envolve atacar o outro, seja física, verbal ou emocionalmente.  Seu objetivo maior é a expressão de seus direitos legítimos de indivíduo e a manifestação de suas ideias, reconhecendo o direito de resposta do outro à afirmação feita, da forma como quer, necessita ou pensa.

Um encontro assertivo ou afirmativo é um convite para relações mais verdadeiras, honestas e harmoniosas, evitando manipulações, ameaças ou chantagens emocionais.

Permite enfrentar confrontos com mais facilidade e tato, de forma menos estressante, sem, contudo, prejudicar os relacionamentos na vida pessoal, profissional e afetiva.  Ajuda na manutenção dos objetivos de cada um, sem que para isso precise brigar; apenas mantendo-se firme em seus propósitos.

Evita a pressa em dar qualquer tipo de resposta, antes de ter a certeza daquilo que se quer realmente dizer.

Por isso, não leva em consideração somente o que se diz, mas também como se diz.

Entretanto, nem sempre é fácil expressar-se assim, pois a muitas pessoas foi ensinado que as melhores respostas para evitarem situações conflitantes são a passividade, a omissão e a submissão. Se não se expõem não correm riscos. E se não correm riscos, estão protegidas. Mas protegidas de quê? A meu ver, até do crescimento pessoal.

Por outro lado, algumas pessoas recebem mensagens opostas, seja através da educação familiar ou da própria sociedade, que ensinam e reforçam a violência e agressividade a cada dia.

Por isso, muitas delas precisam aprender a até treinar essas habilidades assertivas através de estudos, cursos ou em uma psicoterapia, ressaltando aqui que é uma aptidão que pode ser aprendida e mantida através de prática frequente.

Em meu consultório, por exemplo, eu costumo trabalhar e ficar atenta à assertividade de cada cliente durante todo o seu processo psicoterápico. E os resultados constatados por mim ao longo destes anos são os melhores possíveis, pois a autoestima melhora consideravelmente quando conseguem desenvolver um comportamento afirmativo em suas relações.

Muitas delas costumam explodir quando algo as incomoda ou quando se frustram. Transformam frustração em fracasso e passam a agir de forma impulsiva e/ou agressiva. Querem a todo custo que seus desejos sejam atendidos a tempo e a hora e que suas ideias prevaleçam. Não aceitam as diferenças e se negam a respeitar o direito e a vontade do outro. O sentimento manifesto e dominante é o de raiva e costumam expressá-la de forma mal-educada e não trabalhada.

Outras, ao contrário, implodem, engolindo seu incômodo, sua raiva, fazendo coisas que não querem, que não concordam e principalmente que não sentem, apenas para agradar o outro ou porque têm dificuldades de dizer e escutar a palavra “NÃO”. Acreditam que dizendo ou ouvindo “NÃO”, o afeto do outro em relação a elas fica comprometido ou então perdido. Não valorizam seus desejos, vontades, escolhas, opiniões e decisões, por não acreditarem em si e no direito de fazê-lo.  E por incrível que pareça, o bloqueio é tão grande e insuportável, que às vezes acabam explodindo de fato e de forma agressiva e inadequada. Ou então, escolhem um outro caminho: somatizando suas emoções transformando-as em sintomas físicos ou verdadeiras doenças. Essas pessoas apresentam um comportamento passivo ou não assertivo.

Por tudo isso, a proposta que hoje trago aqui, está entre a agressão, que é um desrespeito ao outro e a passividade ou não assertividade, que é a anulação de si mesmo. É falar um pouco do equilíbrio entre esses dois extremos. É apresentar um pouco mais sobre a assertividade, convidando-os também a uma análise, reflexão e compreensão de como cada um está se relacionando consigo mesmo e com o outro e com situações de conflito.

É sabido, que todos nós apresentamos todos os três comportamentos citados, de acordo com o momento ou a situação em que experimentamos ou vivenciamos. Agimos de forma agressiva em alguns momentos, de forma não assertiva em outros e de forma assertiva em outros tantos.

Mas, com certeza, de acordo com nossa história de vida e relacionamentos, desenvolvemos uma dessas características mais do que as outras e cabe a nós escolher com qual queremos ficar e nos apresentar. Se optarmos por lidar melhor com as situações, desenvolvendo relacionamentos e atitudes mais saudáveis, então precisamos aprender, desenvolver e treinar nossa assertividade.

Por isso, seguem aqui algumas dicas:

O primeiro passo é aceitar e permitir em nós mesmos o direito de sentir. Mesmo os sentimentos mais “sombrios” como raiva, medo, ciúme, inveja, etc.

Em se tratando de sentimentos e emoções, não existe certo ou errado.  Existem sentimentos, e o importante aqui é a forma como lidamos com cada um deles.

A raiva, por exemplo, é um sentimento considerado por muitos como “feio”. Mas mesmo assim o sentimos, e às vezes pela pessoa que mais amamos. É frequente a sua negação ou então a autoacusação ou auto-condenação por não conseguirmos evitá-la. E quanto mais a bloqueamos mais chances temos de soltá-la de forma inadequada, seja em relação à outra pessoa, seja em relação a nós mesmos, desencadeando um processo depressivo, transformando-a em culpa ou em doenças de uma forma geral.

Como humanos que somos, sentimos raiva sim. Mas senti-la não significa maltratar o outro ou agredi-lo. Posso, se for assertivo, falar dela e do meu incômodo de forma tranquila. Outra alternativa é transformá-la em garra, garra para lutar, por um relacionamento, por uma busca, por um desafio. Sentir raiva não significa confrontar o outro usando a agressão verbal ou física e nem sair distribuindo broncas por aí. E sim construir um relacionamento sólido e consistente no qual haja permissão de ambos para falar o que precisa ser dito no momento certo e de forma adequada.

O problema, então, não está em sentir raiva, mas em como lidar com ela e como educá-la.

Aceitando a raiva e todos os outros sentimentos como parte de nós e como verdadeiros e legítimos, posso me expressar com mais coerência diante de mim e diante do outro e, a partir daí defender meus direitos com legitimidade.

Enfim, a comunicação assertiva do que penso e sinto, me leva a lidar e esclarecer situações obscuras, enevoadas, evitando os desconfortos e mal-entendidos, desenvolvendo acima de tudo não só a capacidade de falar com facilidade e clareza, mas também a habilidade de ouvir.

O jornalista e colunista americano Sydney Harris (in memoriam) contava uma história verídica extremamente assertiva,  a qual me serve de inspiração junto aos meus pacientes.

Certa vez Sydney Harris estava com um amigo que parou em uma banca de jornais para comprar o seu jornal diário. O amigo, muito amavelmente cumprimentou o jornaleiro, enquanto este o tratou de forma rude, atirando em sua direção o jornal comprado de uma forma extremamente grosseira. O amigo então pegou o jornal sorrindo e desejou ao jornaleiro um bom dia.

Os dois continuaram a caminhada quando Sydney Harris o indagou:

“- Ele sempre te trata com esta grosseria?

– Sim, infelizmente é sempre assim, respondeu o amigo.

– E você é sempre tão polido e amigável com ele?

– Sim, sou.

– Por que você é tão educado, já que ele é tão inamistoso com você?

– Porque eu não quero que ele decida como eu devo agir.”

PORTANTO, SER ASSERTIVO É TAMBÉM NÃO PERMITIR QUE OS OUTROS ESCOLHAM COMO DEVE SER O NOSSO DIA. É AGIR DE FORMA COERENTE AO NOSSO JEITO DE SER E NÃO REAGIR DE ACORDO COM O HUMOR DAS PESSOAS. A ENERGIA QUE ESCOLHEMOS PARA NÓS NÃO DEVE SER REFÉM DA ENERGIA DOS OUTROS.

EXEMPLOS DE COMPORTAMENTOS AGRESSIVO, ASSERTIVO E NÃO ASSERTIVO

Uma fila de supermercado ou banco é um exemplo clássico desses três tipos de comportamentos e didaticamente de fácil explicação, tendo em vista que é uma situação em que todos nós com certeza vivemos em nosso dia-a-dia.

Suponha que você está em uma fila dessas, por pouco ou muito tempo, isto não importa. De repente, alguém entra nesta fila na sua frente e na frente de outras pessoas, sem sequer pedir licença.

Algumas delas irão se sentir invadidas e desrespeitadas, com toda razão.  E se dirigem a essa pessoa de forma áspera, com ofensas e/ou insultos. Com isso, acabam por convidá-la a responder tais insultos, perdendo assim uma grande oportunidade de fazê-las avaliarem tal comportamento. Pronto, está armada a confusão. Um grita, o outro também. Um ofende e o outro revida. Enfim, vira uma discussão sem fim, quando agora o importante não é o ato em si, mas quem ganha a briga. Aquele que agride, sem dúvida está defendendo o seu direito, só que de forma inadequada.

Outras pessoas dessa mesma fila se calam, se omitem e se “implodem” diante de quem “furou” a mesma.  Ou então, não raras vezes, cutucam uma outra pessoa da fila e chamam a atenção para o fato. Esperam que essa pessoa se irrite e tome a iniciativa em seu lugar. Recuando, esperam que algo ou alguém modifique essa situação. Não defende seu direito e seu espaço e ainda reforça o erro do outro.  Estão se comportando de forma passiva ou não assertiva.

O assertivo por sua vez, aponta o desrespeito e invasão do outro, mostrando com educação e transparência sua insatisfação, convidando-o ao mesmo tempo a uma retomada em sua atitude. Mas, caso não seja atendido em sua solicitação e direito, recebendo uma resposta negativa ou agressiva, não gasta sua energia e tempo brigando. Vai até alguma autoridade do estabelecimento, que pode ser um guarda ou segurança, expõe o fato e pede então que ele resolva aquela situação conflitante.

Defendeu o seu direito legítimo, não se estressou e se relacionou de forma saudável e positiva.

E você, como resolveria esta situação?

Como está lidando com as suas situações conflitantes e desconfortáveis?  Como tem se posicionado em relação ao outro que fura as “filas” de sua vida?

Aproveite agora e faça uma autoavaliação, utilizando as características abaixo.

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DE CADA COMPORTAMENTO CITADO

COMPORTAMENTO PASSIVO OU NÃO ASSERTIVO

– Omite suas opiniões em discussões para não pôr seu “espaço” em risco.

– Permite que outras pessoas tratem seus pensamentos e sentimentos da forma que quiserem.

– Teme ou receia desagradar as pessoas com quem tem contato, para evitar conflitos.

  • Diz sim quando quer dizer não.

–  Se em algum momento reagir de forma agressiva, costuma responder muito vigorosamente, com rispidez, causando uma forte impressão negativa mas, logo se arrepende por ter agido desta forma.

–  Faz o que os outros querem apesar dos seus próprios desejos.

– Renuncia seus direitos.

– Vê os direitos dos outros como superiores aos seus.

Marília Teixeira MartinCOMPORTAMENTO AGRESSIVO

–  Agride física ou verbalmente o outro.

– Respeita a si próprio apenas.

– Impõe sua opinião

– Não aceita críticas e agride o outro.

– Reclama seus direitos e os vê como superiores aos direitos dos outros.

– Defende o que quer sem se importar com os direitos e sentimentos dos outros.

– Enfrenta o problema de forma arrogante. É hostil com os outros.

– Confia apenas em si.

-Trabalha em direção às suas metas, porém de forma agressiva.

– Age com raiva.

– Escolhe suas próprias atividades e as atividades dos outros.

COMPORTAMENTO ASSERTIVO

– Dá expressão aos seus próprios pensamentos e sentimentos com espontaneidade, naturalidade e calma, adotando uma postura clara e transparente.

– Aceita a opinião do outro sem que para isso precise concordar com elas. Transmite seus pensamentos sem tentar convencer.

– Aceita a crítica do outro e sabe distinguir o que é verdadeiro do que é falso e a partir daí, utilizá-la ou não para seu crescimento pessoal.

– Sente, pensa e age de forma que defenda seus direitos pessoais, dizendo sim ou não, de acordo com suas vontades pessoais.

– Defende seus direitos, se necessário, com firmeza, mas sem ferir ninguém.

– Reconhece os direitos dos outros como iguais aos seus.

– Sabe ser flexível, sem abandonar seu espaço vital e nem invadir o espaço do outro.

– Enfrenta o problema e não a pessoa, focalizando o fato e investindo na busca de soluções.

– Confia em si mesmos e nos outros.

– Trabalha em direção às suas metas.

– Lida com a raiva.

– Escolhe suas próprias atividades.

– Respeita a si e ao outro.

 

Marília Teixeira Martins

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Olá! Sou Marília Teixeira Martins, psicóloga clínica há 36 anos. Atendo adolescentes e adultos em meu consultório em Belo Horizonte de forma presencial e, a convite da Plataforma da Psicologia Viva, realizo atendimento online, devidamente autorizado pelo Conselho Federal de Psicologia. Acredito que cada um de nós, em seu processo de crescimento e busca interior, é capaz de desenvolver todo o seu potencial na resolução de problemas e dificuldades que a vida nos apresenta. Assumir a responsabilidade por nossa própria evolução nos colocando como o primeiro e único responsável por nossas atitudes, escolhas, sentimentos e por nossa própria vida é trabalhoso, mas com certeza nos leva a uma compreensão maior e mais fiel de como nos relacionamos conosco e com os outros. Como profissional da área de saúde entendo que o meu papel e dever em relação às pessoas que me procuram é motivá-las e direcioná-las ao seu autoconhecimento e amadurecimento de forma responsável, incentivando-as a buscar o comprometimento com sua própria evolução e crescimento emocional, condição “sine qua non” para uma vida harmoniosa e serena. Durante longos anos trabalhei em Comunidades Terapêuticas abordando o difícil mal da humanidade: a dependência de álcool e outras drogas. Em consultório, trabalho com os próprios dependentes químicos (adictos) desde sua rendição e pedido de ajuda, passando por todo o processo efetivo de recuperação e pela constante sombra da recaída… Até sua libertação dos químicos. Como uma criança que nasce e passa por vários estágios até seu completo caminhar, o dependente químico que quer vencer alcança sua sobriedade e recuperação. Resgata a dignidade perdida em função de uma doença tão devastadora, deixando de ser o “escolhido”, abraçando com muita dignidade e garra sua liberdade em “escolher”. Conheço de perto a luta que enfrentam. Portanto, a todos que optaram por sua sobriedade e recuperação e àqueles que ainda não optaram, mas estão a caminho, recebam o meu profundo respeito e admiração. Atendo também familiares de dependentes químicos que costumam não saber lidar com a adicção de seu afeto e, por isso, apresentam comportamentos disfuncionais e adoecidos. Falar sobre este tema exige cautela. Por outro lado, tornou-se um desafio em minha vida. Costumo dizer que eu não o escolhi, o tema me escolheu. Mas, por que e para quê? Confesso que durante muito tempo busquei respostas para esta indagação pessoal e, por mais incrível que possa parecer, ainda não as encontrei. Resolvi então me entregar ao “chamado” e agir. Um desafio, um sonho, uma realidade. Através de minhas experiências profissionais publiquei um livro dirigido principalmente àqueles que buscam ou navegam em direção à libertação das drogas, reinventando suas histórias e resgatando suas próprias vidas. Escrevê-lo foi mais do que um simples ensaio. Foi um exercício poético de liberdade e um convite à reflexão e à ação. Escrevi ainda um segundo livro, ainda não publicado, devido às inúmeras atividades profissionais por mim abraçadas, mas que vocês terão a oportunidade de conhecê-las através deste blog. Quem sabe juntos conseguiremos alcançar aqueles que tanto precisam de ajuda? Além de atuar em diversos diagnósticos clínicos, dou supervisão clínica para psicólogos, auxiliando-os na condução de seus atendimentos. Ministro palestras em grupos de mútua-ajuda como Alcoólicos Anônimos (A.A.), Al-lanon (para familiares de dependentes químicos), em escolas de ensino fundamental e médio, trabalhando com os alunos principalmente a prevenção da doença. É um prazer recebê-los. Vocês são os meus convidados. Podem entrar, a casa é nossa! Marília Teixeira Martins Psicóloga Clínica

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