VOCÊ SABE O QUE É ESPAÇO PSICOLÓGICO?

0
1546

A CONSTRUÇÃO DO ESPAÇO PSICOLÓGICO E SUA IMPORTÂNCIA NA FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE

Cada pessoa, de acordo com sua história de vida, vivências e mensagens recebidas, principalmente na infância, constrói um espaço interno chamado ESPAÇO PSICOLÓGICO, que nada mais é do que a auto permissão para ESTAR e SER no mundo nos aspectos individual, familiar, social, espiritual, profissional, etc…

E quando se vivencia situações inesperadas, difíceis e maiores que o espaço psicológico construído suporta, advém a dor e o sofrimento emocional. Em alguns casos, dependendo da intensidade dessas vivências, desordens psíquicas e físicas se manifestam e a pessoa adoece de forma provisória ou crônica.

EXEMPLOS DE DOENÇAS QUE PODEM SE MANIFESTAR AO LONGO DA VIDA:

  1. Desordens psíquicas como depressão, estresse, fobias, pânico, insegurança, baixa autoestima, ansiedade, traumas, etc.
  2. Desordens físicas ou doenças psicossomáticas como gastrite, úlceras, algumas erupções de pele, gagueira e até mesmo o câncer, etc.

O espaço psicológico começa a ser construído na infância, de acordo com a forma com que as aprendizagens recebidas são processadas. Aprendizagens estas, fundamentais para a construção do equilíbrio físico e emocional e, principalmente, para a formação da nossa personalidade. Vamos a elas

TIPOS DE APRENDIZAGENS NA INFÂNCIA

A aprendizagem na primeira infância acontece através dos órgãos dos sentidos (visão e audição). É vendo, ouvindo e observando que agimos, copiando e testando os comportamentos dos outros, principalmente dos pais e dos adultos em geral. Não pensamos e nem midiatizamos nosso agir. Apenas reproduzimos e modelamos nosso comportamento de acordo com os modelos externos.

Imagem: FreePik

Por ser uma aprendizagem apenas pelos órgãos dos sentidos, raramente, quando adultos, nos lembramos de nossos conteúdos vividos e aprendidos nesta fase. Não lembramos, mas ficam registrados em nosso inconsciente e vão sendo incorporados à nossa estrutura de personalidade. Este período varia de criança para criança, mas normalmente segue até os cinco anos de idade.

Nesta fase os educadores precisam tomar muito cuidado com seus comportamentos, pois as crianças estão prontas para copiá-los e repeti-los.

Um exemplo negativo disso é quando algumas pessoas pedem aos seus familiares, até mesmo aos próprios filhos, para mentir ao telefone, dizendo que não estão presentes. Já ouvi muitos casos em que a própria criança diz a quem liga que seu familiar está sim, mas pediu que falasse que não estava em casa.

À medida que nosso desenvolvimento avança e nossa área intelectiva se manifesta mais ativamente, conseguimos agir e pensar o que aprendemos. A esta nova etapa de aprendizagem chamamos de INTELECTUALIZAÇÃO.

Vencidas estas duas formas de aprendizagens, entramos então na fase da INDIVIDUALIZAÇÃO, ou seja, passamos não só a pensar, como também expressar o que vivemos e o que aprendemos, sem grandes censuras internas. Por isso, as crianças falam exatamente o que pensam, deixando muitas vezes os adultos constrangidos com tamanha sinceridade.

Hoje mesmo presenciei uma cena que exemplifica exatamente a sinceridade pura de uma criança. Amanda (nome fictício) está completando 4 anos de idade. Ela torce para o time do Cruzeiro, enquanto todos de sua família torcem para do time rival: o Atlético. Ao ganhar do padrinho uma camisa do Atlético, jogou-a no chão e gritou em alto e bom som: – “Não sou atleticana. Eu sou cruzeirense!

Seu pai, constrangido com a reação, chamou-a de mal-educada e ordenou que ela pegasse a camisa do chão e agradecesse o seu padrinho. Ela saiu correndo, não agradeceu e nem quis mais saber daquela camisa. O que aconteceu depois entre pai e filha eu não sei, mas por hora não nos interessa.

Estes três processos citados fazem parte do desenvolvimento natural de todos nós. E no processo de Individualização precisamos dar voz aos nossos pensamentos de forma autêntica para aprendermos a nos expressar adequadamente e a nos posicionar com segurança no mundo adulto.

Quando existe este canal aberto e transparente na comunicação e disponibilidade do adulto em ouvi-la, do jeitinho que ela se expressa, seja na família, na escola ou em qualquer outro lugar que participa de sua formação, a chance desta criança se posicionar saudavelmente no futuro é grande.

Caso contrário, quando o ambiente não favorece esta permissão e a criança é reprimida no seu falar espontâneo, inúmeros entraves e dificuldades podem surgir em seu desenvolvimento e na construção do espaço psicológico, estrutura tão importante para seu posicionamento futuro diante de si e diante do mundo.

Em casos extremos, quando a criança é reprimida no seu pensar e falar pode ocorrer a gagueira. Exemplo disso é quando um adulto, nesta fase da Individualização, constantemente grita com a criança: – “CALA A BOCA!” Tal atitude pode causar um descompasso na respiração da criança que a faz gaguejar diante de seus pensamentos e fala.

Porém, eu não estou dizendo aqui que a criança pode fazer tudo o que quer e deseja. Limites são necessários e fazem parte da boa educação e formação. O que quero grifar é que, em um primeiro momento, a criança precisa sentir-se livre e com o espaço aberto para expressar-se autenticamente. Mesmo porque, é desta forma que nós adultos recebemos dicas de nossas próprias crianças sobre onde precisamos orientá-las com mais afinco para que sua formação seja a mais rica, honesta e saudável possível.

Imagem: FreePik

DIANTE DESTE ENFOQUE, QUAL SERIA O OBJETIVO DA PSICOTERAPIA?

Um dos objetivos da psicoterapia, tanto de adultos quanto de crianças é a busca do conhecimento e da exploração deste espaço psicológico que começa a ser construído de acordo com este processo de INDIVIDUALIZAÇÃO.

Um segundo objetivo é a descoberta de defesas inconscientes utilizadas como forma de proteção emocional ao longo da vida.

Por isso, o processo psicoterapêutico é direcionado de acordo com o ritmo individual do paciente. É como sempre dizemos: “Cada caso é um caso”.

A escuta empática do profissional e o cuidado na construção do vínculo entre o paciente e o psicoterapeuta em questão tornam-se imprescindíveis. Exercícios e técnicas terapêuticas utilizadas complementam o processo, funcionando como facilitadoras de descobertas subjetivas dolorosas e ameaçadoras.

Desta forma, o sucesso do reequilíbrio e do reencontro harmonioso da própria pessoa acontece, e seu espaço psicológico é, na maioria das vezes, amplificado para que nos reveses da vida ela tenha mais segurança, equilíbrio, maturidade, serenidade, força e resiliência em seus enfrentamentos do dia a dia.

Frederick Perls, psiquiatra e fundador da abordagem Humanista, Gestalt-terapia, em meados da década de 60 dizia:

 “A VERDADE SÓ PODE SER TOLERADA SE DESCOBERTA POR CONTA PRÓPRIA”.

(Gestalt-Terapia Explicada, Summus Editorial, 3ª Edição)

 

 

Previous articleMINHA PARTICIPAÇÃO NO JORNAL MINAS SOBRE ALCOOLISMO NOS JOVENS
Next articleA DEPENDÊNCIA EMOCIONAL OU CODEPENDÊNCIA
Olá! Sou Marília Teixeira Martins, psicóloga clínica há 36 anos. Atendo adolescentes e adultos em meu consultório em Belo Horizonte de forma presencial e, a convite da Plataforma da Psicologia Viva, realizo atendimento online, devidamente autorizado pelo Conselho Federal de Psicologia. Acredito que cada um de nós, em seu processo de crescimento e busca interior, é capaz de desenvolver todo o seu potencial na resolução de problemas e dificuldades que a vida nos apresenta. Assumir a responsabilidade por nossa própria evolução nos colocando como o primeiro e único responsável por nossas atitudes, escolhas, sentimentos e por nossa própria vida é trabalhoso, mas com certeza nos leva a uma compreensão maior e mais fiel de como nos relacionamos conosco e com os outros. Como profissional da área de saúde entendo que o meu papel e dever em relação às pessoas que me procuram é motivá-las e direcioná-las ao seu autoconhecimento e amadurecimento de forma responsável, incentivando-as a buscar o comprometimento com sua própria evolução e crescimento emocional, condição “sine qua non” para uma vida harmoniosa e serena. Durante longos anos trabalhei em Comunidades Terapêuticas abordando o difícil mal da humanidade: a dependência de álcool e outras drogas. Em consultório, trabalho com os próprios dependentes químicos (adictos) desde sua rendição e pedido de ajuda, passando por todo o processo efetivo de recuperação e pela constante sombra da recaída… Até sua libertação dos químicos. Como uma criança que nasce e passa por vários estágios até seu completo caminhar, o dependente químico que quer vencer alcança sua sobriedade e recuperação. Resgata a dignidade perdida em função de uma doença tão devastadora, deixando de ser o “escolhido”, abraçando com muita dignidade e garra sua liberdade em “escolher”. Conheço de perto a luta que enfrentam. Portanto, a todos que optaram por sua sobriedade e recuperação e àqueles que ainda não optaram, mas estão a caminho, recebam o meu profundo respeito e admiração. Atendo também familiares de dependentes químicos que costumam não saber lidar com a adicção de seu afeto e, por isso, apresentam comportamentos disfuncionais e adoecidos. Falar sobre este tema exige cautela. Por outro lado, tornou-se um desafio em minha vida. Costumo dizer que eu não o escolhi, o tema me escolheu. Mas, por que e para quê? Confesso que durante muito tempo busquei respostas para esta indagação pessoal e, por mais incrível que possa parecer, ainda não as encontrei. Resolvi então me entregar ao “chamado” e agir. Um desafio, um sonho, uma realidade. Através de minhas experiências profissionais publiquei um livro dirigido principalmente àqueles que buscam ou navegam em direção à libertação das drogas, reinventando suas histórias e resgatando suas próprias vidas. Escrevê-lo foi mais do que um simples ensaio. Foi um exercício poético de liberdade e um convite à reflexão e à ação. Escrevi ainda um segundo livro, ainda não publicado, devido às inúmeras atividades profissionais por mim abraçadas, mas que vocês terão a oportunidade de conhecê-las através deste blog. Quem sabe juntos conseguiremos alcançar aqueles que tanto precisam de ajuda? Além de atuar em diversos diagnósticos clínicos, dou supervisão clínica para psicólogos, auxiliando-os na condução de seus atendimentos. Ministro palestras em grupos de mútua-ajuda como Alcoólicos Anônimos (A.A.), Al-lanon (para familiares de dependentes químicos), em escolas de ensino fundamental e médio, trabalhando com os alunos principalmente a prevenção da doença. É um prazer recebê-los. Vocês são os meus convidados. Podem entrar, a casa é nossa! Marília Teixeira Martins Psicóloga Clínica

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome