DICAS PARA QUEM ACABOU DE SAIR DE UM CENTRO DE RECUPERAÇÃO EM 12 PASSOS

1
1214

1. Minha primeira dica é que se determine cumprir estas sugestões sem ingerir nenhum tipo de bebida alcoólica e nenhum tipo de droga. Após este dia renove o contrato consigo mesmo por mais 24 horas.

2. Programe-se para algum tipo de exercício físico. Aquele que você preferir: academia, pilates, caminhada, corrida, natação, andar de bicicleta, etc. Mesmo que o seu tempo seja curto estruture-se para criar este hábito ainda que seja por 40 minutos por dia e, de preferência pela manhã.

3. Deixe a geladeira bem farta de alimentos saudáveis e não coloque nela nenhum tipo de bebida alcoólica, ainda que seja para outras pessoas. Coma bastante frutas e beba muita água ou suco.

4. Evite alimentos que você possa associá-los à bebida, como pratos que levam em seus ingredientes algum tipo de bebida alcoólica, como vinho, cerveja, rum, conhaque, etc.

5. Se o desejo ou a “fissura” de beber ou de se drogar se manifestar em algum momento, pare imediatamente o que está fazendo, vá para outro ambiente e realize outra atividade qualquer.
Exemplo: Se estiver cozinhando e sentir a fissura, desligue o fogão e vá para outro ambiente realizar uma nova tarefa. Aguarde pelo menos 10 minutos para voltar ao ambiente anterior, neste caso a cozinha. Escovar os dentes ou tomar banho nestes momentos é recomendado.

O desejo de beber e de se drogar costuma ser intenso e forte nos primeiros minutos. Após este tempo a fissura suaviza a cada minuto até cessar novamente. Você precisa apenas 5 a 10 minutos para colocar algum pensamento saudável entre a situação, (no caso o desejo de beber ou de se drogar) e à ação.

6. Caso sinta que o desejo está ficando insuportável e maior do que você, escreva em um papel a atividade que realiza no momento e principalmente qual o sentimento que está experienciando. Escreva o quanto quiser e sobre o que quiser. Chame ou ligue para seu padrinho de A.A. (Alcoólicos Anônimos), N.A. (Narcóticos Anônimos) ou algum companheiro de caminhada, e dirija-se o quanto antes ao grupo de mútua-ajuda que você frequenta. Comunique-se com o seu psicólogo. Compartilhe seus “barulhos” com alguém, lembrando-se que o silêncio é a pior resposta para quem está em recuperação.

7. Em situações festivas inevitáveis, a sugestão é que você não participe ou então em último caso, certifique-se que haverá sucos, refrigerantes, água de coco, chá ou até mesmo um simples cafezinho. Convide e leve um companheiro de recuperação para ir junto. Comunique as pessoas ao seu redor que você não está bebendo e nem se drogando mais, usando a justificativa que melhor lhe convier no momento, caso alguém o questione.
Seja firme em sua colocação.

Exemplos:
– “Eu não posso mais beber ou me drogar pois tenho problemas sérios em relação a isto. Ou então: -“Estou em tratamento médico. Ou ainda: “Que decidiu ou escolheu não mais beber ou se drogar, ou então, diga o que o AA sugere: “que você desenvolveu “alergia” séria em relação álcool e/ou as drogas.

Assim, você evita os possíveis convites neste sentido.

8. Não coloque a responsabilidade de sua decisão em cima da situação em que você estiver inserido e/ou envolvido. Parta do princípio que foi você quem escolheu e optou por sua abstinência, portanto ela está em suas mãos, como também a responsabilidade em defendê-la. Você é o único responsável por sua recuperação.

Hoje você está abstêmio e sóbrio e isso já faz parte da sua vida e do seu dia-a-dia. Portanto, é capaz de ficar mais um dia sem beber.

9. Não dirija seus pensamentos e  foco para o prazer que a bebida ou a droga lhe trazia, mas, sobretudo para o desprazer que sentia nos últimos tempos.

Cada pensamento por você alimentado ou cultivado pode levá-lo a um sentimento e comportamento de igual força, contribuindo para o impulso de beber ou se drogar.

É sabido que os pensamentos negativos nos convidam para sentimentos também negativos e desconfortáveis. Por isso, pense de forma positiva, afirmativa e proativa sobre você e sobre todo o processo que está vivendo.

10. UTILIZE E PRATIQUE O SENTIR, PENSAR E AGIR.

11. Não deixe de frequentar os grupos de mútua-ajuda e de fazer o seu pós-tratamento na comunidade terapêutica ou na sua psicoterapia.

12. Seguindo estes 12 passos você poderá se surpreender ao descobrir que a bebida e/ou drogas estão menores do que a sua própria vida e que você não precisa delas para nada.

PARABÉNS POR SUA ESCOLHA E DECISÃO A FAVOR DA SUA RECUPERAÇÃO! Desejo a você muita luz, muita garra e serenidade nesta caminhada.

 

 

 

 

 

 

 

 

Previous articleO CAMINHO E PRAZER DA RECUPERAÇÃO NA DEPENDÊNCIA QUÍMICA
Next articleERROS DE AMOR
Olá! Sou Marília Teixeira Martins, psicóloga clínica há 36 anos. Atendo adolescentes e adultos em meu consultório em Belo Horizonte de forma presencial e, a convite da Plataforma da Psicologia Viva, realizo atendimento online, devidamente autorizado pelo Conselho Federal de Psicologia. Acredito que cada um de nós, em seu processo de crescimento e busca interior, é capaz de desenvolver todo o seu potencial na resolução de problemas e dificuldades que a vida nos apresenta. Assumir a responsabilidade por nossa própria evolução nos colocando como o primeiro e único responsável por nossas atitudes, escolhas, sentimentos e por nossa própria vida é trabalhoso, mas com certeza nos leva a uma compreensão maior e mais fiel de como nos relacionamos conosco e com os outros. Como profissional da área de saúde entendo que o meu papel e dever em relação às pessoas que me procuram é motivá-las e direcioná-las ao seu autoconhecimento e amadurecimento de forma responsável, incentivando-as a buscar o comprometimento com sua própria evolução e crescimento emocional, condição “sine qua non” para uma vida harmoniosa e serena. Durante longos anos trabalhei em Comunidades Terapêuticas abordando o difícil mal da humanidade: a dependência de álcool e outras drogas. Em consultório, trabalho com os próprios dependentes químicos (adictos) desde sua rendição e pedido de ajuda, passando por todo o processo efetivo de recuperação e pela constante sombra da recaída… Até sua libertação dos químicos. Como uma criança que nasce e passa por vários estágios até seu completo caminhar, o dependente químico que quer vencer alcança sua sobriedade e recuperação. Resgata a dignidade perdida em função de uma doença tão devastadora, deixando de ser o “escolhido”, abraçando com muita dignidade e garra sua liberdade em “escolher”. Conheço de perto a luta que enfrentam. Portanto, a todos que optaram por sua sobriedade e recuperação e àqueles que ainda não optaram, mas estão a caminho, recebam o meu profundo respeito e admiração. Atendo também familiares de dependentes químicos que costumam não saber lidar com a adicção de seu afeto e, por isso, apresentam comportamentos disfuncionais e adoecidos. Falar sobre este tema exige cautela. Por outro lado, tornou-se um desafio em minha vida. Costumo dizer que eu não o escolhi, o tema me escolheu. Mas, por que e para quê? Confesso que durante muito tempo busquei respostas para esta indagação pessoal e, por mais incrível que possa parecer, ainda não as encontrei. Resolvi então me entregar ao “chamado” e agir. Um desafio, um sonho, uma realidade. Através de minhas experiências profissionais publiquei um livro dirigido principalmente àqueles que buscam ou navegam em direção à libertação das drogas, reinventando suas histórias e resgatando suas próprias vidas. Escrevê-lo foi mais do que um simples ensaio. Foi um exercício poético de liberdade e um convite à reflexão e à ação. Escrevi ainda um segundo livro, ainda não publicado, devido às inúmeras atividades profissionais por mim abraçadas, mas que vocês terão a oportunidade de conhecê-las através deste blog. Quem sabe juntos conseguiremos alcançar aqueles que tanto precisam de ajuda? Além de atuar em diversos diagnósticos clínicos, dou supervisão clínica para psicólogos, auxiliando-os na condução de seus atendimentos. Ministro palestras em grupos de mútua-ajuda como Alcoólicos Anônimos (A.A.), Al-lanon (para familiares de dependentes químicos), em escolas de ensino fundamental e médio, trabalhando com os alunos principalmente a prevenção da doença. É um prazer recebê-los. Vocês são os meus convidados. Podem entrar, a casa é nossa! Marília Teixeira Martins Psicóloga Clínica

1 COMMENT

  1. Fantástico mais uma vez. Sou coordenador de uma CT e sempre medito nos seus artigos e estendo aos residentes em partilhas. Grato por tudo.

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome